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domingo, 28 de abril de 2019

“Caiado se preparou para ganhar a eleição, mas não para governar”

“Caiado se preparou para ganhar a eleição, mas não para governar”

Talles Barreto não chega a ser uma voz que clama no deserto da Assembleia Legislativa. Mas, em uma casa que ensaia alguma independência, mas que já caminha para acomodar-se junto ao Palácio das Esmeraldas, segue sendo um dos mais críticos ao governador Ronaldo Caiado (DEM).
Barreto defende o legado dos governos anteriores, do qual fez parte, mas, na entrevista que segue abaixo, a autocrítica ao próprio partido é menos rigorosa que os ataques que faz à atual gestão. “Estou na oposição e tenho de fazer oposição”, justifica. Entre outros assuntos tratados com a equipe do Jornal Opção, o deputado tucano também deixa escapar o desejo de disputar a eleição de prefeito em Goiânia.
Euler de França Belém – O processo eleitoral do PSDB começou com quatro candidatos: Jardel Sebba (ex-deputado), Lêda Borges (deputada estadual), Carlão da Fox (prefeito de Goianira) e o sr. Esta semana, a situação se afunilou em torno do nome do prefeito de Trindade, Jânio Darrot, que não era candidato. O que houve para que ocorresse essa mudança?
Todos os candidatos, com seu perfil, têm boas intenções. A minha é de inovar o partido, que precisa reavaliar o projeto de 2018. Perdemos as eleições, isso foi um recado. Não tenho dúvida de que um dos maiores erros do PSDB foi tomar decisões de cima para baixo. Faltou ouvir as bases, os prefeitos. Também sou um dos responsáveis por esse processo.
Coloquei-me como candidato à presidência do partido com foco nessa inovação e para valorizar o legado do período do Tempo Novo, sob o comando do governador Marconi [Perillo]. Ninguém vai destruir as pontes e rodovias que construímos, as bolsas universitárias que transformaram a vida de muita gente, o melhor autódromo do Brasil, o Centro de Excelência. O PIB [Produto Interno Bruto] que, em 1998, era R$ 20 bilhões hoje é de mais de R$ 240 bilhões. Isso é história, serviço prestado e transformação.
O Estado estava em 18º no ranking nacional [de competitividade] e hoje é o 9º. Foram criados os polos industriais de Anápolis e Aparecida de Goiânia, que transformaram essas regiões. O Tempo Novo não era de uma pessoa, mas de um grupo político. É importante valorizar esse legado, mas é preciso saber o que o partido ainda pode fazer por Goiás.
Carlão da Fox e Jânio Darrot disputam presidência do PSDB em Goiás
Quando se perde uma eleição, é natural ocorrer uma fragmentação do partido, pessoas saírem. Então, temos de buscar um novo processo. O PSDB vai mudar nacionalmente, com o [João] Dória [prefeito de São Paulo] ou o Bruno Araújo [senador de Pernambuco] à frente. Para 2022, teremos candidatos com potencial até mesmo para a Presidência da República.
O PSDB tem uma história. Mesmo com a reformulação do partido, talvez com um novo nome, é um grupo que ajudou a mudar o Brasil e Goiás.
Portanto, tentamos chegar a um consenso, que ainda acho possível. O Jânio Darrot mostrou ser um nome viável. Só que ainda não foi possível chegar a um consenso e ainda tivemos o surgimento de um novo candidato, o deputado Célio Silveira, que é o único deputado federal que temos no partido, o maior cargo que temos hoje.
Não tenho dúvida de que o Jânio Darrot, pelo prefeito que é, um empresário de sucesso, uma pessoa de postura ética ímpar. Mas não é por isso que iríamos impô-lo. Ao contrário, fico feliz que, mesmo com todo o desgaste, o partido ainda consegue ter grandes nomes para disputar a presidência. Foram registradas duas chapas [de Jânio Darrot e de Carlão da Fox], mas estamos fazendo todo o esforço para unificá-la.
O partido não pode ter uma disputa interna, senão entrará em uma fragmentação ainda maior. Por isso estamos buscando a unidade, para que tenhamos um presidente que trabalhe de uma nova forma, para fortalecer o PSDB para 2020 e 2022.
“Nós perdemos as eleiçoes em primeiro turno. O recado foi dado e temos de fazer quais foram nossos erros”
Rodrigo Hirose – Nacionalmente, o PSDB enfrenta uma disputa entre os chamados cabeças-brancas e os cabeças-pretas, que não é necessariamente uma questão de idade, mas de caras e ideias novas. Aqui em Goiás a discussão é a mesma?
Não exatamente, mas o PSDB precisa de uma renovação. Aqui em Goiás, nós perdemos a eleição no primeiro turno. Tem algo de errado. O recado foi dado e temos de fazer essa avaliação, descobrir quais foram nossos erros. Se não tivesse havido erros, não teríamos perdido. Em São Paulo, o PSDB ganha as eleições há mais de 30 anos.
O legado do partido deve ser preservado, mas ao mesmo tempo, exige-se um novo perfil. Quem quiser sair do partido, que saia. E a conversa com o Jânio Darrot é nesse sentido.
Muitos acham que o Vecci não fez um bom mandato como presidente do PSDB, mas eu discordo. Ele trabalhou muito pelo PSDB, melhorou muito a organização do partido e foi importantíssimo nas políticas públicas do Governo. Mas, na presidência de um partido, há erros e acertos. O que precisa ser feito é diminuir os erros e ampliar os acertos.
Para não ter a disputa interna, continuaremos conversando para construir o consenso.
Euler de França Belém – Quem ouve o sr. falando pode ficar com a impressão de que o partido fez tudo certo e que quem errou foi o eleitor. O partido não fará uma autocrítica?
Essa autocrítica, estamos fazendo. Erramos nas decisões de cima para baixo, na escolha das parcerias. Erramos e muito.
Euler de França Belém – O ex-governador José Eliton foi uma escolha errada para a disputa da reeleição?
“O José Eliton foi uma escolha errada, não tinha o perfil para ganhar as eleições”| Foto: divulgação
Acho que sim. Naquele momento, ele não tinha o perfil para ganhar as eleições. Se o partido tivesse ouvido as bases e escolhido outro nome, talvez tivéssemos condições de ao menos disputar com mais força.
Euler de França Belém – Mas ele, o José Eliton, não representava esse perfil do não político?
Havia outras opções. O Otavinho [Otávio Lage de Siqueira Filho, ex-prefeito de Goianésia], por exemplo, era um nome novo que poderia ter sido trabalhado.
A perda do PP e da deputada Flávia Morais foi outro erro muito grande. Insisti muito em ter o partido conosco.
Euler de França Belém – E por que o PSDB perdeu o PP?
Porque não quis dar o espaço que o PP exigiu na chapa. Historicamente o PP sempre esteve conosco. Outro erro foi a briga do Vilmar Rocha para a suplência do Marconi no Senado.
“Não vou falar em soberba por parte do PSDB, mas criou-se um excesso de confiança”
Euler de França Belém – O tempo em que o PSDB ficou no poder fez com que o partido passasse a usar uma viseira que o impediu de enxergar a realidade?
Acredito que sim. Não vou falar em soberba, que é uma palavra muito agressiva, mas criou-se um excesso de confiança.
Euler de França Belém – A impressão que se tem é que o PSDB avaliou que elegeu um poste, o Alcides Rodrigues, e achou que poderia eleger uma pedra, o José Eliton.
É mais ou menos isso, mas cada um com características diferentes. O José Eliton é um homem do bem e tem sua história, mas tinha dificuldade em interagir [com o eleitor]. O Alcides interagia. Quando se vai para um processo eleitoral, é preciso se popularizar.
Euler de França Belém – O governador Ronaldo Caiado está tentando fazer um ajuste fiscal. Como o sr. o avalia?
Até agora ele não apresentou nada. A única coisa que chegou à Assembleia Legislativa foi o aumento porcentual do Protege [Fundo formado que recebe aportes oriundos dos incentivos fiscais]. Foi uma medida tomada sem discussão com o setor produtivo, que, não fosse uma ação do PSDB, iria aumentar os encargos sobre produtos como o milho e outros grãos.
“Até agora Caiado não apresentou nada. Todos os projetos que enviou para a Assembleia foram impensados”| Foto: Governo de Goiás
Todos os projetos do Governo que chegam na Casa são impensados, sem estudos com o devido zelo. As medidas são questionadas e ele muda. Até agora, não teve coragem de enviar a reforma administrativa – tomara que essa demora seja porque estão estudando o melhor projeto.
O Governo criou cinco secretarias e extinguiram as secretarias extraordinárias. Mas não criou orçamento para as novas pastas e teve de enviar pedido de suplementação de R$ 300 mil para cada uma. Esse valor é uma brincadeira, em poucos dias terão de mandar outro pedido de suplementação.
O Governo fica fazendo colchas de retalhos. A suplementação para pagar a Educação foi feita quatro vezes. Houve o período de transição para fazer os estudos necessários e não chegar [despreparado] como chegou.
O Caiado fez uma opção de não pagar [a folha do funcionalismo] de dezembro e pagar janeiro. Se quisesse, poderia ter incluído no orçamento e feito o pagamento. Não haveria problema nenhum. Ele pensou que assumiria só o que viria após a posse, mas ele assume o Estado inteiro.
O governador não quis assumir responsabilidades que são do Estado.
“Foi um equívoco do governador não pagar dezembro, mandar anotar contas do funcionalismo na caderneta, mandar coraçãozinho para as pessoas que protestavam”
Rafael Oliveira – Foi uma opção política não pagar dezembro?
Claramente. Foi um equívoco não pagar dezembro, mandar anotar na caderneta a conta de quem não recebeu, mandar coraçãozinho para as pessoas. O Caiado se planejou para ganhar o Governo, mas não para governar o Estado. Está batendo cabeça.
Rodrigo Hirose – O sr. acha que o governador não conseguiu encaixar quadros técnicos capazes de elaborar esses projetos antes de enviá-los à Assembleia?
É começo de Governo. Mas, por exemplo, o projeto que retirava a AGR [Agência Goiana de Regulação] da CDTC [Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos] não havia passado pelo Gabinete Civil.  A matéria já estava na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] e foi retirada. Houve algo que não foi planejado.
O Caiado é uma pessoa honesta, mas tem de se organizar [para governar]. O Governo está perdido.
Os secretários de fora não têm interação [com os deputados]. Cada secretário trouxe seis, oito, dez [auxiliares de fora]. Eles não tiveram responsabilidade na eleição do governador e não chegam com espírito coletivo, mas apenas com intensão de fazer o melhor para sua pasta. No Governo, todos têm de se dedicar pelo conjunto.
Euler de França Belém – Para ser justo, o sr. percebe algum secretário que está deslanchando?
De forma alguma.
Euler de França Belém – O secretário de Saúde, Ismael Alexandrino Júnior, está indo bem?
Só se for no Instagram dele. O Materno-Infantil está sendo matéria [jornalística] em nível nacional. Não estou falando que [Caiado] pegou  o Estado bem, mas Governo é superação diária. Consegue-se superar as dificuldades trabalhando. O Governo fica olhando demais para o retrovisor e batendo o tempo todo. Tem de olhar para frente.
Rodrigo Hirose – O sr. diz que os secretários que vieram de outros Estados não interagem com os políticos daqui. Mas, como os secretários “caseiros” estão se comportando nesse sentido?
O grande problema talvez seja do comandante, que tem de se organizar, definir prioridade. Em quatro meses de Governo, não há referência em nenhuma pasta.
O Governo tentou acabar com o Jovem Cidadão, fez uma nova licitação e a mesma empresa que prestava o serviço foi a vencedora, com valores praticamente iguais. Isso tudo após causar um trauma nas famílias dos jovens do programa.
Rodrigo Hirose – O Governo renegociou com a Organização Social (OS) que administra o Hospital Geral de Goiânia (HGG) por um valor abaixo do que era pago. Essa não é uma medida positiva?
Todo Governo tem de fazer ajuste e isso é correto, mas tem de ser de forma planejada. No caso do Pró-Cerrado, deveria fazer a licitação sem afetar a continuidade.
Quando o governador Marconi assumiu no primeiro mandato, sabia que uma grande referência do Governo Maguito Vilela era a entrega de cestas básicas. Ele evoluiu, criou um cartão que levou dinheiro para o interior. Isso é planejamento.
Nesse Governo, não vemos qualquer coisa planejada. Não sei o Caiado vai aprender a governar governando.
Euler de Franças Belém – A Renda Cidadã e a Bolsa Universitária estão mantidas?
A Renda Cidadã não está sendo pago, inclusive o cadastro está sendo refeito.
Quanto à Bolsa Universitária, o Governo passado deixou alguns valores que não foram pagos e o atual Governo está tentando acertá-los. Essa é outra matéria que poderia ter sido alvo de estudos durante a transição, para que fossem feitas mudanças que melhorassem o programa.
Era isso que a população esperava: ações evolutivas. Não há problema de modificar os programas, deixar sua marca. O PMDB deixou um legado, o PSDB também. O Caiado tem de construir o seu.
É muito cedo, mas o começo do Governo foi muito ruim, está muito aquém do esperado.
Euler de Franças Belém – A UEG (Universidade Estadual de Goiás) corre riscos?
A UEG não tem orçamento suficiente para se manter. Em virtude de uma lei anterior, mas que nunca foi utilizada, o Governo atual contingenciou os recursos da universidade, que tem apenas R$ 200 milhões para o ano, o que não é suficiente. O Governo precisa decidir qual política terá para a UEG.
A política pública é o Governo quem define, ele ganhou a eleição para isso. Há cursos em andamento, não dá para cortar recursos dessa forma.
Rodrigo Hirose – O sr. cobra muito planejamento do governo Ronaldo Caiado, mas ele alega que pegou um Estado quebrado. É possível planejar sem ter recursos?
Cristiane Schimidt, secretária da Economia | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção
Engraçado é que o grupo do Caiado falava em déficit de R$ 6 bilhões, depois reduziram para R$ 5 bilhões, agora a secretária [de Economia, Cristiane Schimidt] fala em R$ 3,2 bilhões. A arrecadação de janeiro de 2019 chegou a mais de R$ 2 bilhões. Caiado saiu das eleições com um capital político muito grande e poderia ter proposto as adequações necessárias para organizar o Governo.
Ele tinha convicção que iria obter o Regime de Recuperação Fiscal e se esqueceu das outras ações. É aceitável, por exemplo, a Goinfra não ter diretor de manutenção até hoje? É um período chuvoso, as estradas estragam. Existe um fundo de manutenção das rodovias, com recursos do Detran.
Euler de Franças Belém – Mas a Goinfra está fazendo operações tapa-buracos.
Começou agora, já no fim do período chuvoso.
Euler de França Belém – No Governo Marconi também havia reclamação de rodovias ruins, a oposição mostrava.
Na campanha o Caiado nem falou sobre rodovias, porque elas estavam em bom estado de conservação. Houve momento em que o Governo passado se perdeu, até por falta de recursos, mas agora está faltando a manutenção básica do que se tem.
Euler de França Belém – Qual o conteúdo da reforma administrativa?
Um corte linear de 20% em pessoal, cargos de comissão, manutenção. Ele terá dificuldade [de aprovar].
Rafael Oliveira – O sr. disse que o Governo está batendo cabeça. É por isso que está tendo tanta dificuldade para montar a sua base? Os deputados temem o desgaste?
O melhor momento do Governo foi entre o dia 7 de outubro e 31 de dezembro. Nesse período, a expectativa era maior que o poder.
“As pessoas que andaram com o Caiado na campanha, como o Delegado Waldir e o José Nelto, estão reclamando”
Euler de França Belém – O sr. não acha que está exagerando nas críticas e que o Caiado está buscando fazer um Governo austero?
Quando havia apenas a expectativa sobre o Governo, o Caiado conseguiu aprovar o que quis na Assembleia. Depois que ele assumiu, as dificuldades vieram. As pessoas que andaram com ele estão reclamando, como os deputados federais Delegado Waldir (PSL) e José Nelto (Podemos), o senador Jorge Kajuru (PSB), os deputados estaduais Major Araújo (PRP), Iso Moreira (DEM) e Cláudio Meirelles (PTC). São parlamentares que estiveram com ele no processo eleitoral.
Rodrigo Hirose – O governador fez uma reunião há poucos dias no Palácio das Esmeraldas para solidificar a base. Foram 28 parlamentares, inclusive um do PSDB e outros que eram oposição.
O PSDB perdeu o Diego Sorgatto, que vai para o Governo. Ele tem nosso carinho, mas fez essa opção. O caminho natural é que ele busque novas alternativas partidárias para disputar a eleição [para prefeito] em Luziânia.
“O PSDB perdeu o Diego Sorgatto, que vai para a base do Governo. O caminho natural é que ele busque novas alternativas partidárias”
Rodrigo Hirose – Em Goiás, os Governos sempre tiveram maioria na Assembleia, formada até com certa facilidade. A tendência é isso se repetir?
Acredito que, para isso, o Governo terá de mudar muito, reavaliar a sua linha de atuação.
Rodrigo Hirose – Mudar a linha de atuação é atender aos pedidos de cargos feitos pelos deputados?
A base é instável, não consolidada. A PEC [Proposta de Emenda Constitucional] que apresentei, alterando a parcela do orçamento impositivo, foi motivada também por muitos deputados da base do governador.
Sei que essa PEC foi utilizada por muitos deputados para fazer pressão sobre o Governo, mas com o 1,2% para o orçamento impositivo, a Assembleia será fortalecida. Esse porcentual será dentro das vinculações constitucionais na Educação, Saúde e Ciência e Tecnologia. Então, não afeta o Governo e é uma forma de a Assembleia ter uma agenda positiva.
No Brasil inteiro a média do orçamento impositivo é de 1,2%. No Congresso, está sendo criada a imposição da emenda de bancada. Esse é o caminho que devemos tomar.
O orçamento impositivo, apesar de respeitar as emendas parlamentares, também é benéfico para o Governo, porque é ele que vai levar os recursos para os municípios.
Italo Wolff – Os deputados da base alegam que o porcentual de 1,2 não é factível, que o ideal é permanecer em 0,5% ou 0,75%.
Como não se os recursos estarão dentro das vinculações constitucionais e os investimentos são necessários? O Governo já é obrigado a fazer esses gastos. Já falei isso para o próprio governador.
O líder do Governo [Bruno Peixoto, MDB] é que fala isso [que o porcentual não pode ser pago]. É um pensamento retrógrado e pequeno.
Rodrigo Hirose – Do ano passado, quando o sr. era Governo, para cá, o sr. mudou de posição em relação ao orçamento impositivo?
Quando o orçamento impositivo foi discutido, eu não estava na Assembleia, estava no Governo, coordenando o Programa Goiás na Frente. Independentemente disso, não vou ficar olhando para trás, estou discutindo o hoje.
Nós evoluímos, tivemos uma eleição atípica para a presidência da Casa, mostramos força com a união dos parlamentares. Hoje o presidente Lissauer [Vieira] faz uma administração independente, mas como estadista, inclusive atendendo o Governo.
Rafael Oliveira – Há deputados que dizem que o tempo para montar uma base está acabando.
“O Governo terá uma base, mas que não votará matérias polêmicas com ele”
O Governo vai ter uma base, mas que não votará matérias polêmicas, com um possível aumento na alíquota da Previdência, por exemplo.
Rodrigo Hirose – Para usar uma metáfora futebolística, essa base será como aquele lateral veterano, que só sobe para o ataque na boa?
Só vai votar na boa. Quando o Governo enviar matérias polêmicas e difíceis para a Assembleia, muitos parlamentares terão dúvida em relação às suas votações.
Rodrigo Hirose – É mais fácil ou cômodo ser oposição que ser base?
Evidentemente, perdemos eleição e tenho de entender que tivemos ônus e bônus por fazer parte do Governo passado. O Caiado é um homem de bem, estive com ele por 12 anos. As minhas críticas são de gestão. Por isso, digo que o Governo tem de se reavaliar em todas as ações.
Rodrigo Hirose – Como está a relação do Governo com os municípios?
Muito ruim. Até o convênio que o Governo havia anunciado, de parceria [para conservação de rodovias] não deu certo e foi encerrado. A estrutura do Governo é muito grande, tem muitas ações, e o governador Caiado, que foi sempre um grande parlamentar, está muito aquém.
Italo Wolff – O sr., como membro das comissões de Organização dos Municípios e de Obras Públicas. Qual o feedback que o sr. tem tido dos municípios?
Essas comissões praticamente ainda não estão funcionando. Já a comissão de Educação, da qual sou presidente, tem tido sessões ordinárias. Já falamos com a secretária da Educação [Fátima Gavioli], nos reunimos com diretores de colégios, elaboramos as dez medidas para a Educação.
Rodrigo Hirose – E, sendo esse grande parlamentar, tendo construído uma sólida carreira parlamentar, tornando-se conhecido como um homem combativo, não é de se estranhar essa dificuldade em lidar com os deputados?
Até a oposição esperava um Governo mais produtivo, mais forte, com um secretariado melhor. Goiás tem a tradição de exportar cargos e não de importar. Em São Paulo, dois ex-ministros que são de Goiás estão na administração [Alexandre Baldy e Henrique Meirelles]. Goiás é o primeiro lugar no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], as referências são muito fortes.
“Nao tenho dúvida de que quem está ressuscitando a oposição [PSDB] é esse Governo”
Rafael Oliveira – Aparentemente, o Governo tenta a todo o tempo desconstruir o marconismo. Isso não pode ter efeito contrário?
Não tenho dúvida, quem está ressuscitando a oposição é esse Governo.
O que está errado tem de ser corrigido, mas há muita coisa correta feita nas gestões passadas. O atual Governo tem de parar de criticar e trabalhar. Só está olhando para o retrovisor e, se não olhar para a frente, o carro não vai andar.
Os 100 primeiros dias definem o que será o Governo, é o seu cartão de visitas.
Rodrigo Hirose – No Congresso, discute-se a criação da Região Metropolitana do Distrito Federal. Qual a sua posição sobre essa proposta?
Nós não temos recursos e é preciso analisar essa alternativa, que atinge não só Goiás, mas também municípios de Minas Gerais.
O crescimento do Entorno [do Distrito Federal] é muito grande e dificilmente o Governo de Goiás terá condições de dar o suporte necessário. Não tenho um conhecimento tão profundo desse projeto, já que não atuo tanto na região, mas o vejo como uma grande alternativa para ajudar a resolver os problemas locais.
Valparaíso, Águas Lindas e Novo Gama são cidades que explodiram [em número de moradores] em pouco tempo, chega gente de todo o País para servir de mão de obra para o Distrito Federal.
Compare-se com os municípios do Norte de Goiás, como Mara Rosa e Maralina, estão asfaltados, com praças bem cuidadas, esgoto. No Entorno, não tem nada disso, os problemas são bem específicos e a Região Metropolitana pode ser a solução.
Euler de França Belém – O PCC sempre atuou em Goiás, mas atualmente parece que essa presença aumentou. Em Caldas Novas, houve invasão em hospital, com servidores feitos reféns. O que está acontecendo?
“Tivemos um dos melhores secretários da Segurança Pública da História, o ex-governador Irapuan”| Foto: Jota Eurípedes
O governador, quando assumiu, disse que bandido em Goiás agora terá de fugir. Não funciona dessa forma e nem do dia para a noite. Tivemos um dos melhores secretários de Segurança Pública da história, o ex-governador Irapuan Costa Júnior. Um homem muito firme e correto, tivemos uma gestão importante.
O novo secretário [Rodney Miranda] tem de construir a confiabilidade de seus comandados, especialmente por vir de fora. Boas intenções eu percebo que tem, pois já ocupou esse mesmo cargo no Espírito Santo.
O Governo fica apresentando números, mas isso é muito pouco, essa não é a essência. A questão é muito mais séria em todo o Brasil, nós temos pouca formação [educacional], 14 milhões de desempregados. Esse é um problema social que não se resolve facilmente, não adianta falar que bandido vai fugir do Estado, está cheio de bandido aqui.
A polícia de Goiás e uma das melhores do Brasil, faz um trabalho excepcional. Foram contratados mais de 2 mil novos policiais no Governo passado, mas ainda não é suficiente e o Governo está com dificuldade de contratação.
Euler de França Belém – Como está a situação da Enel? É possível ela perder os incentivos fiscais?
No primeiro leilão para venda da Celg, a licitação foi deserta, porque a empresa tem um grande número de ações trabalhistas. No contrato da privatização, foi criada uma reserva de até 30% do ICMS para pagamento dessas dívidas – em 2018, o valor efetivamente utilizado chegou a 5%. Esse incentivo foi revogado por uma emenda do deputado Paulo César Martins [MDB].
É fato que a Enel não fez os investimentos devidos, há muito problema na oferta de energia. As manutenções são essenciais. A CPI [instalada na Assembleia para apurar a venda da Celg] já averiguou que a empresa não está fazendo esse trabalho. Ela evoluiu no Rio de Janeiro e no Ceará, mas não em Goiás.
“A Enel não fez os investimentos devidos e há muito problema na oferta de energia”| Foto: Divulgação
Euler de França Belém – O que foi feito com o dinheiro da venda da Celg?
Está publicado no Diário Oficial [do Estado] a aplicação de todos os recursos.
Rodrigo Hirose – A proposta do Governo de diminuir a abrangência do Passe Livre Estudantil, dando esse direito apenas aos estudantes de menor renda, é positiva?
Perde-se o objetivo do programa. Estamos falando de estudantes. Independentemente se estão em algum programa social como o Renda Cidadã, esse valor pode fazer a diferença para muita gente, até para ter uma alimentação melhor em sua escola.
Esse projeto ainda não chegou, mas da forma como foi divulgado, parece que vai cair para 20% o número de estudantes que utilizam.
Euler de França Belém – Mas não é importante diminuir o Estado, gastar menos em algumas questões?
Tenho um perfil mais liberal e poderia até concordar, mas, quando estamos falando de estudantes, temos de lembrar que o Brasil ficou muito para trás até de países como o Chile e a Argentina. É fundamental o Estado contribuir com a Educação, seja por meio do transporte escolar, seja pela Bolsa Universitária.
Qual será o impacto da retirada do Passe Livre em um estudante? O bilhete é usado exclusivamente para estudar, porque tem o horário de validade. O Passe Livre tem sua contribuição na formação dos alunos e não tem tanto impacto em termos de corte de gastos.
Euler de França Belém – O sr. é favorável à privatização da Iquego e da Metrobus?
Da Iquego, completamente. Ela está capengando há muitos anos, o que o Estado quer com isso?
A situação da Metrobus precisa ser estudada. O Estado e a Prefeitura de Goiânia querem entregar a empresa para a iniciativa privada e, no caso do Governo, tirar o corpo fora nas questões que envolvem a tarifa.
Ano passado, a AGR vetou três vezes os valores de aumentos propostos para a passagem. Por que tirar a responsabilidade dela sobre isso? Por que ela está incomodando. O Estado contribui, não cobra ICMS do combustível das empresas, então não pode ficar ausente das discussões sobre o preço das passagens. O que há é interesse do prefeito e do governador de entregar o serviço para os grupos que comandam no setor há muitos anos em Goiânia.
Euler de França Belém – O que está ocorrendo dentro da AGR? Diretores estão sendo retirados?
O Governo atual está buscando de todas as formas retirar as pessoas que foram eleitas no mandato anterior dos conselhos [estaduais]. Nem entro nessa questão, pois se a gestão acha que deve fazer, cabe a ela. Isso vai acabar até na Justiça.
Euler de França Belém – E o sr. é favorável a levar a Saneago para a Bolsa de Valores?
Sim. Acho, inclusive, que os municípios poderiam distribuir a água, ter linhas de créditos para investir em equipamentos, seria mais uma fonte de recursos para eles. A Saneago pode ficar com o fornecimento.
A Saneago é uma estrutura muito grande, há diretores ganhando R$ 50 mil por mês. Nesse ponto, o Estado tem de ser menor.
Euler de França Belém – O sr. é candidato a prefeito de Goiânia?
Sou político, tenho coragem [de ser candidato]. Tenho minha história em Goiânia, apesar da referência no São Patrício e Vale do Araguaia. Minha atuação na Assembleia vai ser fundamental para isso, vou dar minha visão administrativa sobre Goiânia e sobre o atual prefeito.
Não tenho dúvida de que temos time e gente. Estarei com 49 anos e tenho total disposição para enfrentar esse processo eleitoral. Politicamente estou amadurecendo, tendo mais experiência.
Euler de França Belém – A impressão é que Goiânia não precisa de prefeito, porque, se precisasse, teria um e atualmente não tem e a cidade está funcionando no piloto automático. O repórter do Jornal Opção Rafael Oliveira rodou a periferia e ficou surpreso com a quantidade de obras inconclusas. E o prefeito, após fazer caixa nos dois primeiros anos, vai fazer obras que dão visibilidade na classe média. O sr. acha que o eleitor mudou e não acredita mais nisso?
“Iris tem um estilo populista, faz obras para dizer que é um grande prefeito” | Foto: Livia Barbosa/Jornal Opção
É o estilo populista dele, fazer obras para dizer que é um grande prefeito. Mas o eleitor infelizmente ainda tem memória curta. Hoje a rede pública municipal de Saúde é uma infelicidade. Não tem maternidade, não tem posto de saúde funcionando, um Cais, faltam médicos especialistas.
O Iris já contribuiu muito com Goiás e com Goiânia, a dedicação dele já foi muito forte. A história dele está escrita, fez um papel bacana. Vejo a intenção dele de ser candidato novamente até como certo egoísmo.
Muitos novos líderes estão surgindo, com ideias novas, coragem, disposição e garra, além de requisitos básicos como honestidade. Eles podem ser testados, não podemos viver somente do passado dele [Iris]. Podemos voltar a ter a Goiânia que já tivemos.
Euler de França Belém – O Jardel Sebba acredita em uma grande frente contra o Caiado em 2022, com o MDB, PSDB, PP e o PTB. O sr. acha isso possível?
Não, ainda é muito prematuro fazer uma avaliação assim. Se as regras atuais forem mantidas, surgirão muitos candidatos. Não se pode mais fazer coligações proporcionais e isso praticamente obriga um partido a lançar um candidato majoritário.
E já há algumas definições. O próprio MDB do Daniel Vilela já demonstrou que não quer se aliar ao PSDB, coisa que eu mesmo já defendi.
https://www.jornalopcao.com.br/entrevistas/caiado-se-preparou-para-ganhar-a-eleicao-mas-nao-para-governar-180122/


Jovem dá à luz em banheiro de casa em Formosa, dizem bombeiros Mulher estava na 36ª semana de gestação. Corpo de Bombeiros levou mãe e filha para hospital.


Jovem dá à luz em banheiro de casa em Formosa, dizem bombeiros

Mulher estava na 36ª semana de gestação. Corpo de Bombeiros levou mãe e filha para hospital.

Por Paula Resende, G1 GO
 Atualizado há 9 horas

Bombeiros colocaram a recém-nascida em cobertor térmico e a levaram para um hospital de Formosa — Foto: Divulgação/ Corpo de Bombeiros

Uma jovem de 23 anos deu à luz dentro do banheiro da casa dela, em Formosa, no Entorno do Distrito Federal, segundo informações do Corpo de Bombeiros. Ela estava na 36ª semana de gestação.
O parto aconteceu por volta das 14h de sábado (27). Os bombeiros foram chamados para socorrer a grávida, mas, quando a equipe chegou, a criança já havia nascido. Segundo a corporação, foi a avó quem cortou o cordão umbilical.

De acordo com os bombeiros, mãe e filha receberam os primeiros atendimentos na residência. Em seguida, foram levadas para o Hospital Municipal de Formosa.

A equipe do Hospital Municipal de Formosa informou que mãe e filha seguem internadas neste domingo (28), mas estão bem. Ambas estão na enfermaria e, inclusive, a recém-nascida amamenta normalmente. A menina nasceu com 2,7 kg e 46 centímetros.

Nunca acreditei que estivesse morto', diz mãe que esperou 38 anos para reencontrar filho sequestrado no DF


Nunca acreditei que estivesse morto', diz mãe que esperou 38 anos para reencontrar filho sequestrado no DF

Mulher deixou bebê com funcionários de abrigo e, ao voltar, não o encontrou. Suspeitos disseram que criança estava morta; entenda.


Por Marília Marques, G1 DF

Sueli Gomes Rochedo, de 56 anos, teve o filho sequestrado na porta da maternidade em 1981 — Foto: Divulgação

A moradora do Distrito Federal que teve o bebê sequestrado na porta da maternidade pública do Gama, em 1981, contou ao G1 que nunca perdeu as esperanças de reencontrar o filho.

Depois de 38 anos de espera, a Polícia Civil do DF localizou nesta semana Luiz Miguel, no estado da Paraíba. O exame de DNA comprovou que o rapaz é o filho raptado de Sueli Rochedo, de 56 anos. Hoje, ele está registrado com o nome de Ricardo Araújo.

"Não acreditava que ele estivesse morto."
Até a manhã de sexta-feira (26), mãe e filho não tinham se visto pessoalmente. A previsão é que o primeiro encontro ocorra na próxima semana, após quase quatro décadas.

Desaparecimento
Sueli contou que na época, aos 18 anos, morava em um orfanato no Guará. Em 9 de fevereiro de 1981, ela foi ao Hospital Regional do Gama para dar à luz ao seu segundo filho.

No dia seguinte, quando recebeu alta médica, a jovem saiu acompanhada por dois funcionários do abrigo, que a convenceram a deixar a criança com eles.
A vítima afirmou que foi até um orelhão a 20 metros do hospital e que se ausentou por apenas três minutos. Ao voltar, não encontrou mais a criança.

"No banco de trás do carro, tinha uma senhora com lenço na cabeça. Quando voltei, ela e meu filho não estavam mais lá."

Sueli disse que perguntou aos funcionários sobre o filho desaparecido, mas que foi obrigada pela dona do orfanato a "permanecer calada e a não tocar mais no assunto". Dias depois, a mulher suspeita afirmou que o bebê havia morrido.

"Era um mix de sentimentos. Uma pessoa em que eu acreditava dizia que ele morreu, mas pensava: ele tinha morrido de quê?".

Durante esse período, a moradora do DF contou que foi levada diariamente a farmácias da região para tomar remédios que fizessem o leite secar. Apesar do sofrimento, a vítima afirmou que não guardou mágoas pelo que ocorrido.

"Pela luz do céu, não sinto ressentimento. A gente só dá o que tem. Mesmo jovem, não permiti que o que eu tinha passado me transformasse em uma pessoa ruim."

Investigação

Passados 32 anos do desaparecimento do filho, a vítima decidiu registrar o rapto na delegacia do DF, onde começou a investigação. Segundo a polícia, a principal suspeita – a dona do abrigo – morreu em 2012, antes que Sueli Rochedo registrasse ocorrência.


Na época, a Polícia Civil tinha, pelo menos, 15 linhas de investigação. Uma delas levou os agentes a entrar em contato com o porteiro do médico que fez o parto da jovem, no hospital do Gama.

Em depoimento, ele disse que registrou a criança em 11 de fevereiro, dois dias após o nascimento de Ricardo. O homem não informou à polícia como recebeu o bebê e nem se houve participação do médico no sequestro.

Como na época o registro indevido de criança não era considerado crime, o caso foi arquivado e o porteiro não respondeu criminalmente. O delegado Murilo de Oliveira – responsável pelo caso – informou que não encontrou registro de nascimento da criança no hospital do Gama.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Permissão para que guardas sejam chamados de policiais municipais divide opiniões na CCJ


Permissão para que guardas sejam chamados de policiais municipais divide opiniões na CCJ

Cleia Viana/Câmara dos deputados
CCJ pretende votar o projeto na semana que vem

Em audiência pública realizada nesta terça-feira (26) pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), debatedores divergiram sobre o Projeto de Lei 5488/16, que altera o Estatuto Geral das Guardas Municipais (Lei 13.022/14) para permitir que os guardas também possam ser chamados de policiais municipais. Por acordo entre os parlamentares, a votação da proposta está marcada para a semana que vem na CCJ.

De um lado, especialistas e parlamentares favoráveis ao pleito das guardas municipais argumentaram que a categoria já exerce o poder de polícia, e que a nova denominação não afetará em nada as competências e atribuições das guardas.

Por outro lado, os palestrantes e deputados contrários à proposta sustentaram que o texto seria inconstitucional, pois a Constituição estabelece que a segurança pública é exercida pelas polícias federal, rodoviária federal, ferroviária federal, civis e militares, além dos corpos de bombeiros militares. De acordo com o texto constitucional, as guardas municipais são destinadas à proteção dos bens, serviços e instalações das cidades.

Um dos receios dos críticos ao projeto é que a mudança no nome abra brecha para que os guardas municipais passem a reivindicar direitos e prerrogativas de policiais, que vão desde regras para porte de arma a planos de carreira e aposentadoria especial.

Ouça esta matéria na Rádio Câmara

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou a extensão de aposentadoria especial por meio de mandado de injunção às guardas municipais. O entendimento que prevaleceu foi o do ministro Roberto Barroso, segundo o qual, mesmo que exerçam atividade de risco, as guardas municipais não integram a estrutura da segurança pública prevista na Constituição.

Convidados
Para Elísio Teixeira, representante da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), a mudança geraria “equívocos e desinformação” na própria população. “Não há, em nenhum lugar na Constituição, a existência de polícias municipais.”

Na opinião do comandante nacional das guardas municipais, Carlos Alexandre Braga, entretanto, a alteração faz jus à realidade. “O povo já reconhece a guarda como polícia – e o bandido também, porque temos guardas mortos, feridos, paraplégicos ao defenderem a população.”

Segundo o coronel Gouveia, representante do Conselho Nacional dos Comandantes, a proposta pode ser usada para “discurso de aumento no efetivo de policiais, sendo que na realidade a nomenclatura não dá às guardas a competência de polícia. Para isso, seria preciso uma emenda constitucional”.

Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Guardas Municipais de Campo Grande (MS), Hudson Pereira Bonfim, comentou que é necessário “desconstruir essa ideia de que as guardas vão virar polícia. É uma mudança simples na nomenclatura, que vai trazer sensação de segurança aos municípios.”

O major Lázaro, representante da Federação Nacional das Entidades de Oficiais Militares Estaduais, foi mais um a insistir na inconstitucionalidade da proposta: “Acho que as guardas integram o sistema de segurança, mas a mudança por lei ordinária não é adequada”.

Pedro Bueno, vereador de Belo Horizonte, defendeu a mudança de nome justamente porque a Constituição exclui as guardas do sistema de execução da segurança pública nacional, e não trata da palavra “polícia”. “O termo polícia não tem patente, não tem sequer uma definição constitucional. O artigo da Constituição trata da execução da segurança pública.”

Parlamentares
Nas falas dos deputados, a divergência se repetiu. Para Arnaldo Faria de Sá (PP-SP), é necessário “acabar com essa picuinha boba, essa disputa desnecessária. Nós temos de dar segurança à população, e é isso o que a guarda municipal faz”.

Já o deputado Marcos Rogério (DEM-RO) disse acreditar que a proposta fere a Constituição: “Não cabe à legislação ordinária fazer essa alteração”.

O relator da matéria na CCJ, deputado Lincoln Portela (PR-MG), acusou representantes das polícias de se posicionarem contrariamente à proposta por “ciúmes”. “Ciúme é coisa complicada. Quanto mais policial, melhor. Nós temos mais bandidos do que efetivo de polícia.”

O autor do projeto, deputado Delegado Waldir (PSL-GO) também foi à comissão defender seu texto. “Temos de acabar com esse corporativismo. Quero uma polícia do cidadão, e não dos delegados, dos peritos, dos coronéis”, afirmou.

A audiência foi feita a pedido do deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG). O parlamentar voltou a se posicionar contrariamente ao projeto: “Ter competência de polícia não é a mesma coisa que ser uma instituição da polícia nos termos da Constituição”.

O deputado Rocha (PSDB-AC) seguiu a mesma linha. Para ele, o debate neste momento tem cunho eleitoreiro, e a proposta é inconstitucional, já que “o constituinte deixou muito claro que as atribuições das guardas não são de polícia e, se elas fazem função de polícia, fazem ao arrepio da Constituição Federal”.

São Paulo
A mudança na nomenclatura já vem sendo feita no País de maneira individualizada, a depender da vontade das prefeituras. Em alguns casos, o Judiciário foi acionado e proibiu a modificação.

Foi o que aconteceu em São Paulo, em 2017, quando a Justiça concedeu liminar vedando o então prefeito João Doria de modificar o nome da Guarda Civil Metropolitana para Polícia Municipal.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:
Reportagem - Paula Bittar 
Edição - Marcelo Oliveira

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Capitão da PM é morto em barbearia após ser reconhecido por assaltantes em Jacarepaguá


Capitão da PM é morto em barbearia após ser reconhecido por assaltantes em Jacarepaguá

Por LOUISE QUEIROGA

PM Anderson Galvão foi morto a tiros em Jacarepaguá


Um capitão da Polícial Militar, identificado como Anderson Azevedo Galvão, de 35 anos, foi morto a tiros em uma barbearia no bairro Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, no início da tarde desta terça-feira, durante sua folga. Ele chegou a ser socorrido ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas já chegou sem vida à unidade.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DH) instaurou inquério para apurar as circunstâncias do crime. Investigações estão em andamento.

Segundo a Polícia Militar, Galvão estava cortando o cabelo em uma barbearia no momento em que criminosos entraram no estabelecimento anunciando roubo. Os bandidos teriam então reconhecido o oficial e disparado contra ele, afirmou a corporação em nota.

Agentes da Polícia Civil buscam testemunhas e imagens que possam ajudar a esclarecer o ocorrido. O Portal dos Procurados divulgou um cartaz para ajudar a DH e o Grupo de Investigação da PMERJ a identificar e localizar os envolvidos na morte do capitão. Uma recompensa de R$ 5 mil é oferecida a quem fornecer informações importantes ao caso.
Portal dos Procurados oferece recompensa de R$ 5 milPM Anderson Galvão gostava de lugares naturaisAnderson gostava de passear ao ar livre

Amigos e parentes lamentam nas redes sociais a morte do PM.
"Foi um grande homem, sempre humilde", disse uma pessoa. "Gente finíssima", afirmou outra. "Não tenho mas o que dizer, quem não conheceu não tem ideia do tamanho da perda, para a família, para os amigos e para a corporação.Que Deus conforte nossos corações e dos familiares. Vai na fé camarada, descanse em paz", escreveu mais uma. amiga.


Justiça condena dentista a pagar R$ 3 mil a paciente que ficou sem prótese, em Luziânia


Justiça condena dentista a pagar R$ 3 mil a paciente que ficou sem prótese, em Luziânia

Para magistrada, vítima sujeitou a um grande constrangimento. Foi arbitrada indenização de R$ 2 mil por danos morais e R$ 1 mil por danos estéticos estéticos


Thaynara Cunha
do Mais Goiás 


Prótese teria caído durante viagem de férias (Foto: Divulgação / TJGO)

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) condenou um dentista a pagar R$ 3 mil por danos morais e estéticos a um paciente, de 37 anos, que perdeu coroa dentária durante uma viagem de férias, em Luziânia, região Leste de Goiás. Decisão foi da juíza Flávia Cristina Zuza, da 1ª Vara Cível do município.

Para a magistrada, a relação estabelecida pelas partes é classificada como “relações de consumo” e se enquadra no Código de Defesa do Consumidor (CDC). “Todo fornecedor de produto ou serviço, segundo a Lei nº. 8078/90 tem o dever de responder pelos eventuais vícios ou defeitos dos bens ou serviços prestados, independentemente de culpa”, elucida.

A juíza arbitrou o valor de R$ 3 mil de indenização, sendo R$ 2 mil por danos morais e R$ 1 mil para estéticos. Flávia salienta que devido a coroa afixada por pino ter se soltado, o paciente se sujeitou a um enorme constrangimento, não podendo se alimentar direito e tendo dificuldades para falar e, até mesmo, sorrir durante o período de férias.
Entenda

Segundo informações disponibilizadas pelo TJGO, o homem foi paciente do dentista em 2013. Por um tratamento de fixação de pino, coroa de porcelana, limpeza e aplicação de flúor, o consumidor investiu o total de R$ 850.

Dois anos depois do tratamento, o paciente voltou ao consultório sem a prótese, alegando que o dente havia caído durante a viagem. Para resolver o problema, o dentista sugeriu um serviço de exodontia e colocação de dente provisório, que não seriam cobrados. Posteriormente, porém, deveria ser colocada uma prótese nova, que teria o valor de R$ 690. O consumidor também teria de desembolsar mais R$ 300 para custos laboratoriais.

O homem não aceitou a cobrança dos valores e exigiu a gratuidade do retrabalho. Não chegando a um acordo com o dentista, o paciente decidiu recorrer à Justiça. “A sugestão de novo tratamento e por outro método, confirma a responsabilidade da requerida pela manifestação expressa da divergência do resultado esperado, no sentido de que foi proposto tratamento corretivo”, destaca a magistrada.

*Thaynara da Cunha é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Thaís Lobo

FONTE É MAIS GOIAS

DGAP quer saber como pistola que possibilitou fuga de presos entrou na CPP


DGAP quer saber como pistola que possibilitou fuga de presos entrou na CPP

Dos 24 detentos que conseguiram escapar, oito já foram recapturados; um morreu em confronto com a Polícia Militar (PM)

Áulus Rincon
Do Mais Goiás 

(Foto: Áulus Rincon/Mais Goiás)


Uma única pistola na mão de um detento. Isso foi o que possibilitou, na noite desta terça-feira (23), a fuga de 24 presos que estavam recolhidos no Bloco B da Casa de Prisão Provisória (CPP), no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Até o final da manhã desta quarta-feira (24), oito detentos haviam sido recapturados e um morreu durante troca de tiros com policiais militares.

Segundo o Superintendente de Segurança Penitenciária da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP), Jhonatan Marques Silva, o órgão trabalha agora, no sentido de descobrir como a pistola entrou na CPP. “Já abrimos um procedimento interno para investigar e sabemos que pode ter sido por meio de advogados, através de parentes, ou mesmo no meio da comida que diariamente é servida aos presos, mas o fato é que ela jamais poderia estar lá”, reclamou.
Modus operandi

Segundo Jhonatan, tudo começou quando um dos três presos que cuidam das cantinas rendeu dois agentes que estavam no pátio, desarmados. “Todo final de tarde, logo após o banho de sol, nós fazemos a chamada nominal dos detentos que já estão recolhidos nas celas e, em seguida, levamos os três que cuidam das duas cantinas. Quando o último destes três chegou na porta da cela, porém, tirou uma pistola de baixo de uma bandeja, rendeu os dois agentes que faziam a escolta, quebrou o cadeado de três celas e, na sequência, trocou tiros com um terceiro servidor, que fica armado na entrada do bloco, no que chamamos de contenção”, relatou.
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Os tiros, ainda segundo o superintendente, chamaram a atenção de outros três agentes que faziam a segurança, armados do lado de fora do bloco. No entanto, ele explica que o trio preferiu não reagir, uma vez que o reeducando tinha dois colegas carcereiros como reféns. “Após os tiros, os presos correram sem rumo e saltaram os muros dos fundos, ocasião em que conseguimos recapturar cinco deles ainda dentro da CPP e outros três do lado de fora”, pontuou Jhonathan Marques.
Serra das Areias

Um dos presos que conseguiu fugir é Thaygo Henrique Alves Santana, de 24 anos, que na semana passada foi condenado a 63 anos de prisão por matar dois casais de jovens em Aparecida de Goiânia em 2013, no crime que ficou conhecido como “a chacina da Serra das Areias”. Logo após a fuga, a Polícia Militar enviou várias unidades especializadas para a região e trocou tiros com um dos foragidos no final da madrugada, no Setor Buenos Aires. A identidade do detento, que morreu no confronto, ainda não foi revelada.
Visitas canceladas

No momento da fuga, segundo a DGAP, seis agentes cuidavam da segurança de 417 presos no Bloco B. Durante a troca de tiros e fuga, seis presos ficaram feridos ao serem pisoteados e foram socorridos e encaminhados para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). Como punição pela fuga, que segundo o superintendente por muito pouco não se transformou em uma tragédia maior, as visitas aos presos do Bloco B foram suspensas por tempo indeterminado. Algumas regalias que eram concedidas a eles, como ventiladores e televisores, serão retirados de dentro das celas.

Palavras Chave: Pistola Reféns Fuga SSP CPP
FONTE É MAIS GOIÁS

Papagaio avisa sobre chegada da PM em ponto de tráfico e é apreendido, no Piauí

Papagaio avisa sobre chegada da PM em ponto de tráfico e é apreendido, no Piauí

Segundo a Polícia Militar, o papagaio gritava "Mamãe, polícia!" para a dona, que já foi presa duas vezes por tráfico. Ave foi encaminhada para Zoobotânico

Do Mais Goiás com informações do G1 Piauí | Postado em: 23/04/2019 às 17:34:58
Papagaio avisa sobre chegada da PM em ponto de tráfico e é apreendido, no Piauí
Papagaio foi encaminhado pela Polícia Militar Ambiental para o Zoobotânico de Teresina (Foto: Divulgação/ Polícia Militar Ambiental)


 




MOTIVACIONAL COM PASTOR RENILDO REBOLÇAS

Foto do perfil de Renildo Reboucas, A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, oceano, céu, atividades ao ar livre, close-up, água e natureza

EM VALPARAISO DE GOIÁS O COLEGIO MILITAR CEPMG Fernando Pessoa inaugura anexo pedagógico

CEPMG Fernando Pessoa inaugura anexo pedagógico

 Christianne Fernandes


A realização, organização e implementação desse Anexo Pedagógico, cuja obra teve início em abril de 2018 contou com a ajuda do Tenente Coronel PM Francisco dos Santos Silva, e o atual Comandante Capitão PM Eric Chiericato deu continuidade ao projeto.

O anexo conta hoje com:

Sala de reforço que comporta 30 estudantes para no contra turno tirar dúvidas e receber orientações dos professores;
Biblioteca Escolar com capacidade para uma turma de alunos;
Laboratório de Ciências da Natureza e Matemática que também abriga uma turma;
Laboratório de Informática;
Sala de Atendimento Educacional Especializado – AEE;
Sala de Apoio à Inclusão;
Almoxarifado;
02 Banheiros para os Estudantes;
Além de alojamento, cozinha e 02 banheiros para os Militares.

A inauguração aconteceu na última quarta-feira, dia 17 de abril e contou com a presença de várias autoridades, entre elas: a Deputada Estadual Lêda Borges, o Prefeito Pábio Mossoró, Vereadores, Secretários, além da Comunidade Escolar.


O projeto só se tornou possível com a aprovação da Associação de Pais, Mestres e Funcionários do CEPMG Fernando Pessoa e com recursos oriundos exclusivamente da contribuição voluntária. Foram entregues homenagens aos Militares, aos funcionários e aos colaboradores que ajudaram na concretização deste sonho, além disso todos os estudantes desta Instituição de Ensino foram elogiados coletivamente.
A Biblioteca Sargento Leandro Caixeta foi em homenagem ao Militar que pertencia a ROTAM falecido em acidente de trânsito quando estava no atendimento de uma ocorrência.

Foi um momento de grande emoção para a esposa, senhora Josy Caixeta e seu filho Alef, que cursa o 8º ano nesta Instituição de Ensino. O CEPMG Fernando Pessoa atende atualmente 1408 estudantes e pretende oferecer aulas diferenciadas e no contra turno, reforço escolar.
FONTE PMGO









Parceria entre Senasp e Institutos Federais visa capacitação de 800 mil profissionais de segurança pública até 2022




Parceria entre Senasp e Institutos Federais visa capacitação de 800 mil profissionais de segurança pública até 2022


MARIANA RAQUEL DE MORAES



O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), e o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica (CONIF) assinaram, nesta terça-feira (23), acordo de cooperação técnica para a formação e capacitação de agentes de segurança pública em todo o país.

Assinado pelo secretário Nacional de Segurança Pública, Guilherme Theophilo, a iniciativa envolve curso de formação de Guarda Civil Municipal; Capacitação Continuada dos Operadores de Segurança Pública; Construção de Planos de Segurança Pública; Criação de Grupos para Diagnósticos Locais de Segurança Pública; Expansão do Curso de Tecnólogo em Segurança Pública na Rede IF; Criação do Cursos de Especialização Profissional lato sensu e stricto sensu em Segurança Pública e Curso de Formação Cidadã para comunidade. Desta forma, a expectativa é contribuir com a formação de 800 mil profissionais até 2022, de acordo com a demanda de cada região.

Para o secretário Nacional de Segurança Pública, o convênio é uma oportunidade ímpar para investir na carreira dos profissionais da área. “A proposta dos Institutos Federais vem ao encontro dos objetivos do Ministério da Justiça e Segurança Pública que é incentivar pesquisas, estudos e trabalhar com os recursos humanos que temos. Com essa integração e grande investimento na capacitação, conseguiremos atingir as metas do ministério de combate ao crime violento, organizado e à corrupção”, explicou Teophilo. 

Presente à cerimônia, o presidente do CONIF, Jerônimo Rodrigues da Silva, apresentou a estrutura da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e destacou a missão dos Institutos Federais no que diz respeito ao fomento do desenvolvimento regional e o estímulo à capacitação e qualificação dos servidores.

Segundo ele, são mais de 600 campi em 568 municípios do país. Jerônimo explicou ainda que, na prática, o número de profissionais capacitados vai depender das demandas apresentadas pela Senasp. “O potencial da nossa instituição é muito grande, em função do nosso número de campi e professores em todas as regiões do Brasil. Então, estaremos prontos para atender. Em Goiás, por exemplo, no projeto-piloto mais de mil profissionais de segurança pública já foram capacitados”, afirmou.

Além de representantes do MJSP e CONIF, participaram da cerimônia de assinatura do acordo reitores de IF’s, pró-reitores, professores universitários e guardas municipais. 

Fonte: https://justica.gov.br/news/collective-nitf-content-1556048732.01